TAPIOCA
Matueté Blog
21 de junho de 2010 0

:: Matueté em Campo | Natureza

Acabo de voltar de uma das mais incríveis experiências de viagens da minha vida.  Passei alguns dias no Xingu, convidado pela tribo Kamayurá.    Os Kamayurá são uma das tribos mais bem preservadas do Parque Indígena do Xingu, com muito orgulho de sua cultura.  Tive a sorte de estar lá na época das festas, que começam em maio e vai até meados de agosto. A aldeia dos Kamayurá fica a alguns kilometros ao sul da cabeceira do Rio Xingu, ao lado de um lago maravilhoso que serve de morada para milhares de borboletas.    A aldeia em si consiste de por volta de 15 ocas familiares dispostas em formato circular.  A casa do Cacique é a maior e cada casa abriga a família extendida do chefe da família, abrigando filhos, genros e netos.  Todos dormem em redes.  Eu dormi em uma oca um pouco afastada da círculo de ocas principais feita para abrigar seus visitantes e convidados.    Todos os dias os homens adultos  se reúnem para conversar na Oca dos Homens, que fica no centro da aldeia onde discutem os temas relevantes e fazem política.

No final do do segundo dia, saímos em direção `a Aldeia Waurá, distante 30km da ‘nossa’ aldeia, onde participaríamos da festa do Jawari – ou Jogos de Guerra.   Ao chegar na aldeia Waurá, fomos levados a uma clareira de por volta de 30 metros de diâmetro onde todos armaram suas redes.   De repente entendi que seria a noite mais louca da minha vida, dormindo em uma clareira, no meio da floresta, rodeado por mais ou menos 200 índios.    Todos, sem exceção, extremamente gentis e muito preocupados em garantir que eu estava bem instalado e tranqüilo.

Ao cair da noite a festa começou.  A parte inicial consiste de danças seguidas de ‘agressões verbais’ direcionadas `a outra tribo que fica respeitosamente ouvindo.   Aí trocam de lado.   Mas tudo em clima de paz total, sem se ofenderem com as gozações.  Após 1 hora de danças, voltamos ao acampamento, e enquanto as mulheres e crianças se preparavam para dormir,   os homens começaram seus cantos, graves e solenes, que durariam até o raiar do dia seguinte.  Após algumas horas ouvindo esses cantos, comi peixe com beiju e fui tentar dormir um pouco, mas  minha rede estava armada ao lado da pequena área onde os meninos pré-adolescentes  armaram suas redes, todos juntos, e como não seria diferente em qualquer cultura ocidental, passaram a noite conversando, dando risada e adorando a experiência toda….

Pela manhã, os Jogos recomeçaram, e aí a brincadeira de ‘tirar barato’  continuou.  Além de se ofenderem mutuamente, começaram a bater em um boneco que representa o ‘inimigo’ além de gritar ofensas ao boneco e `a outra tribo.     O passo seguinte foi um jogo  onde as duas tribos formam um corredor polonês e um guerreiro de cada time se posicionava no meio do corredor e tentando atingir uns aos outros com uma flecha de ponta cega.  Eles se divertem muito com a brincadeira e não se preocupam com quem é o vencedor.  Ao  final de tudo, os homens de uma tribo dançam com as mulheres da outra tribo e jogo se encerra num clima de paz e amizade.

Voltamos para a Aldeia Kamayurá e de lá peguei nosso avião e voltamos para a ‘civilização’, com a certeza de ter vivido uma das experiêncais mais especiais de minha vida…..

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